Conheça a dieta feita por Maíra Cardi e Artur Aguiar para que a filha deles nascesse mais saudável – Notícias


Não tem jeito, o que a Maíra Cardi fala sobre dietas e alimentação acaba chamando a atenção de todo mundo. Algumas vezes, ela faz considerações polêmicas e é duramente criticada, como na última quarta-feira (2), quando ela falou sobre “estupro alimentar”, em vídeo publicado no TikTok.


Porém, ela ficou conhecida mesmo por ajudar os famosos a entrarem em forma. Como o “Programa do Faro”, da RecordTV, mostrou no último domingo. Nessa mesma entrevista, a influenciadora apresentou a mansão que mora com o ator Arthur Aguiar e a pequena Sophia, filha do casal.


No assunto da gravidez claro que teria algum tema sobre alimentação saudável e ela contou ao Rodrigo Faro que fez junto com o marido uma modulação epigenética antes de engravidar, para que a nenê nascesse com menos chances de doenças. 


“Eu fiz modulação epigenética antes de engravidar. Muita gente não sabe o que é, então vou fazer uma explicação leve. É quando você e seu marido mudam a alimentação antes da gravidez para zerar a genética de doenças. Câncer, diabetes, qualquer doença genética vem zerada. Aí o seu filho nasce sem nenhum gene ruim de doenças”, afirmou a influenciadora digital. 


Especialistas explicam que o tratamento é bom para diminuir as chances de a criança ter problemas crônico degenerativos na vida adulta. Mas, não é garantia de que a pessoa não terá  doença ao longo da vida e nem tem a capacidade de eliminar genes danosos à saúde.   


O nutrólogo e endocrinologista Durval Ribas Filho, presidente da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), explica o que é a epigenética. “São estímulos externos que podem favorecer modificações das funções do DNA e consequentemente, trazer benefícios ou, até mesmo, doenças futuras aos nenês. É importante ressaltar que a sequência do gene não é alterada, só as funções. Entre os estímulos externos está a alimentação.”


Tatiane Fujii, nutricionista e nutrigeneticista, ressalta que a modulação epigenética, como a feita por Maíra e Arthur, não é um tratamento e sim uma mudança profunda no estilo de vida. “É um termo generalista para referenciar estratégias de melhora do estilo de vida, como alimentação, prática de exercícios físicos, sono reparador, saúde intestinal e até práticas de meditação visando a modulação da expressão de genes que poderiam influenciar no risco de doenças.”


A especialista acrescenta: “Por exemplo, quando a pessoa é muito exposta aos raios ultravioletas, eles podem gerar estresse oxidativo e causar danos em nosso DNA. Ao fazer isso, aumenta o risco de câncer de pele. Mas, por que nem todas as pessoas expostas têm câncer ou por que pessoas com diagnóstico podem não terem tido tanta exposição? A resposta pode ser por causa da genética e da epigenética. Genética porque nascemos com esses riscos, todos os seres humanos têm riscos de adoecer, mas o gatilho, no caso a exposição solar, pode ser acionado com as nossas decisões, desde o tipo de trabalho até o esporte que se pratica.” São nas nossas decisões que entra a epigenética. 


Como os pais influenciam antes da concepção do nenê?


Fica a dúvida, como os pais podem influenciar as funções genéticas dos filhos antes mesmo de  gerarem essas crianças. “A mulher influencia muito na gestação. Já com relação ao pai, não existe estudos efetivos que mostrem essa interferência direta, epigeneticamente falando. Mas o pai que quer ter espermatozoides mais saudáveis, deve ter hábitos mais saudáveis”, diz Durval Ribas Filho. 


“Tanto a mãe quanto o pai influenciam na saúde da criança. Toda pessoa é o resultado genético de 50% do pai e 50% da mãe e é durante a concepção que ganhamos essa herança, a qual é praticamente uma loteria”, pontua Tatiane Fujii.


Equilíbrio deve ser feito durante toda a gravidez

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Já na gestação a relação é direta. De acordo com estudos feitos na Holanda após a Segunda Guerra Mundial descobriu-se que gestantes expostas por mais tempo à escassez alimentar tiveram bebês com baixo peso ao nascer, mas com mais doenças crônicas, como diabetes, obesidade, problemas cardio vasculares na vida adulta.


Além disso, no período pós-guerra quando as grávidas foram superalimentadas e tiveram um ganho de peso alto, os bebes apresentaram aumento de células gordurosas e também desenvolveram mais doenças degenerativas na vida adulta.


“A essas alterações que ocorrem durante a gestação, chamamos de programação metabólica. É durante o desenvolvimento do bebê que temos mais chances de influenciar o futuro deles. Qualquer dificuldade durante esse período pode influenciar no status de saúde da criança e depois do adulto”, salienta Tatiane. 


O nutrólogo e endocrinologista completa: “A nutrição pode interferir. Se uma mãe não tem um certo equilíbrio na sua ingesta alimentar, ou seja, come muita gordura saturada, exageros no sal, açúcar e alimentos refinados, não come alimentos integrais, ingere poucas fibras dietéticas como frutas, verduras e legumes. Certamente ela estará favorecendo distúrbios epigenéticos no bebê.”


Os especialistas são claros que os cuidados com alimentação são importantes no planejamento dos filhos, mas a preocupação em uma vida mais saudável vai além nove meses de gestação ou do período antes da concepção. 


“Modulação epigenética não cabe em um tratamento, trata-se da vida de cada um e das escolhas que fazemos enquanto estamos aqui vivos. Melhorar a qualidade da dieta pode ajudar sim, mas não é milagrosa e não ocorre de uma hora para outra. Não podemos afirmar ou garantir nada aos pacientes. Quanto mais equilíbrio tivermos, mais chances de qualidade de vida teremos e, por isso, não podemos afirmar ao certo em quanto tempo a regulação da expressão dos genes ocorrerá e se ocorrerá. De qualquer forma, é impossível zerar nossa carga genética para não ter doenças. Não existe respaldo científico para tal afirmação”, finaliza Tatiane.


A SBG (Sociedade Brasileira de Genética) divulgou uma nota de esclarecimento sobre o tema. 


“Dietas saudáveis são recomendadas para obter uma melhor qualidade de vida, como atestam várias pesquisas científicas, mas infelizmente não são capazes de eliminar genes deletérios (danosos) à saúde dos descendentes. Adicionalmente, esclarecemos que a epigenética é uma área da genética que envolve o entendimento dos mecanismos e estímulos envolvidos na modulação da expressão dos genes. Trata-se de uma área onde há muitas questões a esclarecer. Qualquer nova proposta de tratamento ou terapia precisa ser testada com abordagens metodológicas científicas, tratamento estatístico e revisão por pares.”


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