Dez dias de arroz. Um detox para perder peso e maus hábitos – Wellness

Acordar, esticar as pernas, lavar os dentes e o rosto, tratar do pequeno-almoço e, minutos antes das 9, passar de uma cadeira para a outra na mesa da sala de jantar. Um pequeno salto com enorme significado. De um lado da mesa come-se, do outro trabalha-se.

O trabalho remoto é um privilégio, mas trouxe novos desafios. Entre reuniões no Zoom e telefonemas com clientes, comecei a usar o chá como uma desculpa para me mover um pouco. “Volto já. Vou só fazer um cházinho”. Com o chá, vieram figos secos, tâmaras Medjool, amêndoas torradas e quadrados de chocolate negro. Frutos secos e chocolate negro são saudáveis, certo? Então, vamos lá a comê-los como se fossem pipocas. Não é a fome que se mata, porque não existia à partida, mas antes, uma monotonia que teima em não morrer. E então continuamos a tentar.



No início de maio, estava a pesar 69 quilos e 900 gramas – estava a 100 gramas de distância de onde sabia que não queria estar. Mas mais do que outra coisa, sentia-me pesada, inchada e sem energia. Os quadrados de chocolate e tâmaras, para além de vício, também tinham sido aconchego numa altura da minha vida em que estava a viver um tratamento de fertilidade fisicamente difícil com injeções diárias e cocktails de hormonas. Queria uma limpeza.

Comer para purificar







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Sem saber nada de macrobiótica, sabia da existência da Sónia Dias e do seu Orinam. Uma amiga tinha-me enviado um podcast onde ela era a convidada especial e falava de como um problema de saúde a tinha inspirado a procurar as ferramentas para ajudar o seu corpo a curar-se. Senti que aquela também era a minha história e inscrevi-me no programa Detox e Consciência, também chamado de Desafio do Arroz.

“A grande maioria das pessoas que procura a minha ajuda são mulheres com um estilo de vida muito ocupado e que têm como objetivos a limpeza do organismo, a perda de peso e a eliminação da dependência do açúcar”, explica Sónia Dias, que já apoiou mais de 400 participantes.

O Detox & Consciência vem com um manual de instruções, guia de compras e de refeições para os próximos dez dias. Há marcas recomendadas e conselhos para quem não sabe a diferença entre miso de cevada e de arroz – não pasteurizado, claro!

Acabou-se o café e até o chá preto. Durante os próximos dez dias, a bebida de eleição é o chá de três anos ou Kukicha, uma bebida feita com galhos de chá japonês- muito leve e delicado como irei descobrir. Outras coisas que se acabaram são o açúcar, qualquer tipo de gordura, pão e nem pensar em produtos de origem animal. Adeus ovos, manteiga e leite, vou ter saudades vossas.



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Olho para os alguidares de arroz integral deixados de molho na noite anterior e sinto o alívio de saber exatamente a ementa para a semana. Vai ser arroz. Creme de cereais para o pequeno-almoço, arroz integral para o almoço e o jantar, com o bónus fantástico de uma sopa miso e uma das refeições e vegetais escaldados a acompanhar.

Primeira descoberta: adoro cenouras. Finas, compridas e doces, cozinham perfeitamente no minuto que é recomendado deixar os vegetais na água com sal a ferver. É o sabor mais doce desta ementa e se há algo de que sinto falta é do açúcar.  

O maior desafio encontrei-o no creme de cereais ao pequeno-almoço. Feito com arroz glutinoso, cozinhado para lá do ponto e transformado em creme pela varinha mágica, é uma malga cheia de nada pela manhã. 

Nesta experiência, “a parte mais complicada é a mental­”, afirma a criadora do programa. “O corpo consegue ajustar-se a um plano alimentar que é nutritivo, mas muito simples e natural, mas a mente tende a agarrar-se a velhos hábitos e à grande variedade de sabores que uma dieta tradicional oferece”.



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Arroz, arroz e mais arroz com arroz

A partir do quinto dia a sopa miso é enriquecida com mais legumes e o arroz pode ser alternado com outros grãos integrais como o millet, a cevada e o trigo sarraceno. Há sementes tostadas e um ligeiro toque de tamari a temperar os cereais. Pequenas novidades que têm um grande impacto no prazer de comer. Os primeiros cinco dias tiraram-me tudo e agora uma colher de sementes tostadas em cima dos cereais parece tanto pelo bem que me sabe.

No espelho, os resultados estão à vista. A pele está mais limpa e ganhou luminosidade. A Sónia Dias dir-me-á mais tarde, no encontro semanal pelo Zoom, que a pele é o espelho da saúde do intestino. O meu intestino anda a estranhar esta dieta, mas o ventre está menos inchado e a meio do programa já perdi dois quilos.

A orientadora do Detox explica que no fim desta experiência há “uma eliminação das toxinas acumuladas no organismo devido a maus hábitos alimentares e poluentes externos – que são a causa de muitas doenças graves -,  um natural reequilibro do sistema digestivo – que suporta a desinflamação do organismo e a perda de peso natural – e uma desintoxicação da mucosa intestinal, que melhora a tolerância a determinados alimentos”.

Os hábitos também mudaram porque as recomendações do Detox & Consciência vão para lá da alimentação e pedem silêncio e presença. Antes de haver palavras estrangeiras como detox ou telemóveis em cima da mesa à hora da refeição, esta comida simplificada era consumida como um ritual de purificação pelos monges zen durante um retiro. Fora dessa redoma de paz e isolamento, coube-me a mim tentar equilibrar o ruído da minha vida diária com a simplicidade do arroz.

Não é por acaso que se fala em “comer emocional”. Os alimentos estão relacionados com emoções e nestes dias de cereais e legumes escaldados ficamos mais sozinhos com elas. Sem poder ir a restaurantes, bares ou a um café – ou com vergonha de ir e pedir uma tigela de arroz – esta experiência fechou-me mais em casa e dentro de mim mesma onde me apercebi do impacto de tudo o que estava a ingerir. E ao décimo primeiro dia, quando levei uma colher de puré de maçã à boca… É que nem imaginam a explosão de sabores! De repente, tudo ganhou mais intensidade porque o meu palato –e organismo – estava pronto para um novo começo.




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